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Espiritualidade
25/01/2012 19:31:55 - Atualizado em 25/01/2012 19:31:55
Ama enquanto há vida
Ao celebrar as saudades daqueles que partiram, é preciso nos remeter àqueles que estão próximos de nós. Morte e vida congam-se numa única realidade.

Ao celebrar as saudades daqueles que partiram, é preciso nos remeter àqueles que estão próximos de nós. Morte e vida congam-se numa única realidade. À medida que vamos compreendendo esta verdade, fica mais fácil viver o presente sem temer o futuro, seja o nosso, seja dos nossos queridos.

Partilho com vocês esta crônica que está no meu livro Estações da Alma, editado pelo Editora Santuário.

AMA ENQUANTO HÁ VIDA

Final de tarde. O sol tingia de dourado as límpidas águas do rio São Francisco. Rapidamente pude contemplar mais uma vez aquele espetáculo gratuito da natureza. Não me cansava de vê-lo. A cada dia ele trazia algo de novo e inusitado e eu ia bebendo cada detalhe: as nuvens, as sombras, os pássaros que vez por outra apareciam… Mas sempre havia um tom de despedida em cada um destes crepúsculos. Naquela tarde não seria diferente, mas as cores seriam muito mais intensas.

Eu conversava com Maria. Combinávamos as músicas da missa que eu celebraria à noite. Conversávamos animadamente, ali mesmo na varanda da casa, quando surgiu aquela senhora de passos mansos, vestes simples e aparência humilde. Mais tarde eu soube tratar-se de dona Joaquina. Algo me chamou a atenção nela. Por alguns instantes eu fixei meu olhar em seus olhos cansados e nas rugas que marcavam os anos vividos e gastos em prol da família. Era como se eu enxergasse seu interior. Uma espécie de comunhão se estabeleceu naquele instante. Ela queria falar com dona Generosa, a senhora que sempre me acolhia em sua casa quando eu ia missionar naquelas paragens. Levantei-me e fui chamar dona Generosa.

Algum tempo depois, despedindo-me de Maria, no portão da casa, ouvi a voz de uma criança gritar: - Mãe, a vó caiu! O grito vinha de duas casas além da que eu estava. Alarmei-me com o grito e corri para ver o que havia acontecido. A casa era tão simples quanto sua dona. Não tinha muros, apenas uma pequena cerca de arame farpado. Da rua mesmo, vi alguém caído ao chão no quintal da casa. Dirigi-me a ela e vi tratar-se de dona Joaquina.

Sem saber direito o que estava acontecendo, segurei-a em meus braços. Mas as pessoas que estavam ali sabiam que ela estava morrendo. Dona Joaquina deu seu último suspiro em meus braços! Senti meu coração revolver. Era a primeira vez que eu via alguém morrer e estava morrendo em meus braços. Mas uma sensação de paz tomou-me e ajudei a carregar o corpo para o quarto. Abracei, em silêncio, sua filha que chorava. Não havia o que falar.

Algum tempo depois voltei à casa que me hospedava e entrei no quarto. Eu estava tocado interiormente. Ajoelhei-me, orei por aquela senhora e sua família e perguntei a Deus: - Senhor, o que queres me dizer com isso? Suavemente, uma resposta brotou em meu coração: ama, enquanto há vida!

Elegemos tantas prioridades em nosso curto viver e acabamos por adiar o essencial: dar o melhor de nós mesmos a cada dia. Encolhemos as mãos, quando elas deveriam estar estendidas; viramos as costas a quem necessita; transformamos o carinho em frieza polida.

Preciso amar, perdoar e acolher hoje. Só tenho o hoje para isso viver. O que busco, pelo menos, é os obstáculos remover. Obrigado, Joaquina. Deus a tenha em bom lugar. Descanse em paz, irmã!

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