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Espiritualidade
25/01/2012 20:07:30 - Atualizado em 25/01/2012 20:07:30
O Jordão de Jesus

Jesus “se retirou novamente para além do Jordão, para o lugar onde João começara a batizar, e lá permaneceu” (Jo 10, 40). Já não havia o burburinho de antes, quando pessoas de todas os lugares e classes se amontoavam às margens do Jordão para ouvir o rígido profeta em sua mensagem de mudança de vida. E desciam às dezenas ao rio, em direção a João que sobre suas cabeças derramava água e lhes dizia: “Dai frutos de verdadeira penitência. Eu vos batizo com água, em sinal de penitência, mas aquele que virá depois de mim é mais poderoso do que eu e nem sou digno de carregar seus calçados. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo” (Mt 3, 8.11).

João estava morto! Sua fidelidade a Deus e a conseqüente veemência em suas palavras o haviam levado a contrapor-se diretamente a Herodíades, que ordenara sua morte (Mt 14, 1-12). Jesus e João eram primos. Haviam crescido juntos e muitas vezes tiveram oportunidade de brincar e versar sobre as coisas de Deus. Dois filhos abençoados de duas mulheres agraciadas: Maria e Isabel. O Espírito Santo mesmo havia criado aqueles laços tão fortes de união. Isabel e Maria sabiam disso, pois o tinham experimentado antes mesmo do nascimento das crianças, enquanto estavam grávidas. Quando Maria foi visitar Isabel, logo ao entrar na casa de Zacarias, ao saudar sua prima, a criança no ventre de Isabel estremeceu de alegria e ela ficou cheia do Espírito Santo e exclamou quase que num grito: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?” (Lc 1, 39-43).

Todas estas lembranças, muitas delas partilhadas e recordadas por Maria ao menino que crescia “em estatura, sabedoria e graça” (Lc 2, 52), estavam vividas no coração de Jesus. O silêncio daquela hora, o vento a cantar ao passar pelas folhas das árvores e pelo mato que por perto crescia, os pássaros em seus rápidos e leves movimentos, e a consciência de que se aproximava o dia de sua entrega, tornavam mais agudas aquelas lembranças todas. Fora naquele lugar que o Pai lhe testemunhara seu eterno bem-querer: “Tu és meu Filho bem-amado; em ti ponho minha afeição” (Lc 3, 22). Seria aquela palavra do Pai que o fortaleceria nos momentos que Ele teria ainda por enfrentar. E ali, junto àquelas águas, ele permaneceu, reunindo as lembranças amorosas, sua melhor e mais forte herança, para poder continuar sua missão!

O nosso Jordão

É preciso voltar ao Jordão! Cada um de nós! Onde a fonte pela primeira vez jorrou, tornando-nos filhos bem-amados do Pai. Onde e quando foi o seu Jordão? Quando e onde você foi batizado? Seria importante que cada cristão soubesse e celebrasse esse dia. Mas, mesmo que você não saiba, este Jordão está dentro de você. As águas do Batismo não podem ser apenas uma recordação do passado; elas precisam continuar a correr hoje, renovando sua fé, sua consagração ao Pai, a confissão da imensurável afeição do Pai por você e o compromisso de seguir em frente, cumprindo sua missão, como aconteceu com Jesus.

É preciso voltar ao Jordão, não necessariamente porque você tenha se afastado de sua experiência batismal. Não foi por isso que Jesus voltou àquele rio (Jo 10, 40). Ele ali foi para reunir suas experiências significativas e, assim, poder seguir adiante. É preciso voltar ao Jordão para haurir da força do testemunho amoroso do Pai e encher-se do Espírito Santo, água a correr em seu interior e fogo a iluminar os seus caminhos e purificar suas motivações.

Tome este firme propósito! Ele renove sua identidade de filho de Deus, de cristão, católico, membro do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Simbolize esta volta ao Jordão em sua oração pessoal: separe um tempo de recolhimento, acenda uma vela, tenha com você, se possível, água e óleo bentos. Com estes símbolos, ore, fale com Deus, renove suas promessas batismais, mergulhe no inefável amor da Trindade. E siga em frente aberto ao que o Pai quer de você! 

Espiritualidade Janeiro de 2007

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