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Espiritualidade
25/01/2012 20:13:41 - Atualizado em 25/01/2012 20:13:41
Sete atitudes para uma vida familiar reconciliada
Estamos vivendo este ano como um “Caminho de Reconciliação”. Notadamente, o contexto familiar é o que mais nos toca de perto, quando se fala de reconciliação...

Estamos vivendo este ano como um “Caminho de Reconciliação”. Notadamente, o contexto familiar é o que mais nos toca de perto, quando se fala de reconciliação. E não são poucas as famílias que necessitam fazer este caminho para se tornarem mais saudáveis em sua convivência.

Dificilmente uma árvore será saudável se suas raízes não forem saudáveis. Da mesma forma, uma pessoa para se firmar numa perspectiva de crescimento integral precisa ter suas raízes familiares saudáveis. Sabemos que existem formas curativas para sanar o adoentamento da árvore e da pessoa – graças a Deus que elas existem – mas, sem dúvida alguma, a medicina preventiva é o melhor caminho. Talvez, para algumas famílias, os pontos que mencionarei precisam ser ministrados como uma terapêutica para curar as marcas traumáticas presentes. E eles servirão para isto também, se o remédio for ingerido corretamente em toda a sua fórmula.

Por que sete? Poderiam ser cinco ou dez. Optei por sete porque é o número da plenitude na Bíblia. Não que estes sete pontos sejam a plenitude – são apenas algumas pistas – mas quero que abram seu coração para a plenitude que só Deus em sua infinita sabedoria pode trazer ao nosso coração. Que o Espírito Santo o leve a aprofundar-se e o coloque a caminho!

Os textos que me inspiram são das cartas de São Paulo, especialmente aos Colossenses 3,18-21 e Efésios 5,21 – 6,4. Leia-os atentamente! Você verá que eles são bastante semelhantes. Ao ler os textos bíblicos e as reflexões que faço, considere-os de forma mais global, ou seja, são atitudes a serem tomadas pelo esposo e esposa, pelos pais e pelos filhos, mas também se aplicam à vivência em comunidade e aos relacionamentos em geral.

1 – SUBMISSÃO

Não se compreenda aqui como anulação de uma personalidade frente à outra. Paulo, antes de dizer que as mulheres devem ser submissas aos seus maridos, diz “sujeitai-vos uns aos outros no temor a Cristo” (Ef 5, 21). É uma atitude de reconhecimento do outro, buscando o interesse do outro (Flp 2, 4). Veja que a medida que se coloca é em vista da submissão da Igreja ao seu Senhor. Percebe-se que a atitude de Jesus em relação à sua Igreja não é de domínio, mas de entrega e muito maior do que qualquer gesto de submissão que possamos ter, como Igreja, a Ele.

O espírito de submissão deve ser entendido como a busca do bem do outro, onde ninguém se julga dono da verdade, mas se coloca aberto ao que o outro apresenta. Como está o cultivo de seu espírito de submissão?

2 – AMOR

Se às esposas Paulo recomenda a submissão, aos esposos Paulo recomenda o amor que deve ser à medida do amor de Jesus ao entregar-se pela Igreja. E ele diz que este amor deve ser sem fingimento (Rm 12, 9) e que o amor é a plenitude da lei e o vínculo da perfeição (Cl 3, 14). Um amor que vai além das palavras e que se torna gesto de oblação, traduzindo-se nas palavras, no olhar, na forma de estar e de lidar com o outro. Um amor assim não depende do fogo da paixão, pois este com o tempo arrefece. Ele se alimenta do querer o melhor para o outro.

Há momentos em que amar significa suportar: “Suportai-vos uns aos outros” (Cl 3, 13). Suportar não é agüentar o outro de uma forma sufocante, mas é sustentar seu peso existencial. Um peso que eu mesmo tenho e sou para o outro. Não sou eu apenas que tenho de suportar o outro; ele também deve me suportar. E não se suporta verdadeiramente se não se ama.

Amar porque somos amados por um amor muito maior e incondicional. Um amor assim, presente no ser da família, torna-se indissolúvel, atravessa os tempos e toca a eternidade. Ele sempre encontra razões para estar junto do outro, pois ganha cores diferentes nas estações da existência, mas é sempre a mesma seiva que faz a vida circular e renovar-se.

Suas atitudes e palavras são amorosas?

3 – OBEDIÊNCIA

Obediência é a atitude de quem se coloca à escuta, acolhendo profundamente o outro. Referindo-se ao carinho que Tito devotava à Comunidade de Corinto, escreve Paulo: “A sua afeição por vós é cada vez maior, quando se lembra da obediência que todos vós lhe testemunhastes, de como o recebestes com respeito e deferência” (2Cor 7, 15).

Por essa razão, obediência não é uma atitude que compete somente aos filhos em relação aos seus pais; os pais também devem “obedecer” aos seus filhos, ou seja, escutá-los em suas demandas. Há muita intolerância de ambas as partes. Filhos que consideram seus pais “caretas”, fora de moda e que se julgam certos em todas as coisas. Mas há pais intransigentes que se acham donos da verdade e que impõem seus pontos de vista sobre os filhos.

Um verdadeiro espírito de obediência abre a pessoa a escutar o outro, mesmo discordando. É claro que os pais têm uma posição de autoridade sobre os filhos e que estes, em última análise, precisam se submeter à orientação daqueles que já viveram mais e, por isso, têm mais experiência. Todavia, isso não é uma licença para o exercício prepotente da vontade de uns sobre os outros.

Você tem cultivado um espírito de real obediência em sua vida?

4 – RESPEITO

Um dos níveis mais fundamentais do amor. Quem ama respeita o outro, não porque ele ocupa uma posição de superioridade, mas porque cada ser humano é digno de respeito. Se assim deve acontecer com cada pessoa, quanto mais em relação a quem está mais próximo de nós. Uma proximidade que é, sobretudo, do coração e não da presença física. Pais e filhos, esposo e esposa, respeitam o outro mesmo estando distantes. Um respeito que vai desde a forma de falar, sem altercar a voz, até à fidelidade àquele a quem se ama.

Não há lugar para a traição quando se respeita o outro, assim como não há lugar para ofensas verbais ou não. Fruto de uma aliança, o respeito garante a saúde do relacionamento. O respeito leva a pessoa a buscar o melhor, “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos” (Flp 4, 8) e atitudes.

Você é uma pessoa respeitosa e respeitável?

5 – DIÁLOGO

Conseqüência prática da obediência (estar à escuta). O diálogo no seu significado etimológico significa “a palavra que atravessa o coração”. Porque o ser é todo abertura ao outro, deixo que a palavra e a pessoa mesma do outro atravessem meu coração e se instalem no fundo de minha alma. Onde há diálogo, o preconceito e o julgamento cessam e acolhe-se o outro como ele é. Se se tem uma postura dialógica, deixando a palavra e a pessoa do outro atravessarem meu coração, é também do coração que devem nascer minhas palavras e a forma como estou diante dele.

Certamente, é muito mais difícil quando não é uma via de mão dupla. O diálogo é uma postura interna, mas implica duas pessoas abertas a receberem uma a outra.

Pode acontecer que o coração esteja tão cheio de amargura que acaba sendo isso que vai se lançar sobre o outro. “Deixai de lado todas estas coisas: ira, animosidade, maledicência, palavras torpes em vossa boca, nem vos enganeis uns aos outros” (Cl 3, 8-9ª). Quando se percebe que estas coisas ainda estão presentes, então é necessário manter a vigilância para ver como me coloco diante do outro e, concomitantemente, trabalhar para a cura do coração.

O que, de fato, atravessa seu coração?

6 – ACEITAÇÃO

Não há diálogo sem aceitação do outro como ele é. Quando se escolhe alguém para construir juntos uma vida – o matrimônio – recebe-se um “pacote”. O outro vem com suas qualidades e defeitos. Aceitar não significa concordar com todas as coisas. Aceitar não implica manter-se estagnado, sem perspectivas de mudança, ao contrário é engajar-se numa busca de transformação interna: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12, 2). Santo Afonso diz que Deus nos aceita como somos para que nos tornemos como Ele deseja que sejamos, ou seja, o plano que Ele tem para nossa vida. O amor pelo outro me impulsiona a mudar hábitos, atitudes, traços de minha personalidade que o ferem e à relação mesma.

Mas uma família não é feita só de pessoas que se escolheram mutuamente. Essa escolha se dá em relação ao esposo e à esposa, mas não se escolhem os filhos e nem os filhos escolhem os pais. Então, a escolha básica que leva à aceitação do outro brota da escolha de amar: eu escolho amar o outro e construir esta relação ao longo da vida, em suas mais diversas fases.

Suas escolhas partem da escolha fundamental do amor?

7 – PERDÃO

Por fim, mas não menos importante. Diz o apóstolo: “...perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra o outro. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós” (Cl 3, 13). O perdão é componente básico para conviver com a nossa sombra e com a sombra do outro, sem deixar que ela domine. É o perdão que lança luz às situações sombrias e até tenebrosas do relacionamento familiar. E com tantos corações machucados, não há caminho possível para a reconciliação se não houver perdão. É ele que dá a possibilidade de recomeçar, de curar as tantas feridas, pequenas ou grandes, de anos de história, daquilo que até mesmo foi herdado de gerações passadas e que continua vivo e atuante em nosso inconsciente.

Perdoar porque já fomos perdoados! Esta é uma experiência espiritual e só a partir dela é que o perdão pode fluir, aliviando os pesos e dando leveza ao relacionamento. Perdoar, portanto, como uma experiência profunda de fé. Não há cobranças; há apenas o desejo do melhor para o outro e – por que não dizer? – para si mesmo.

Você exercita o perdão ou se remói em mágoas?

Pense nestas sete atitudes, como preciosas sementes lançadas na terra de seu coração. A água para fecundá-las, Deus providenciará com sua Graça, mas caberá a você o cultivo diário de cada uma delas para que cresçam, floresçam e frutifiquem em sua vida pessoal e familiar!  

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Pe. Sérgio é sacerdote Redentorista. Atualmente pároco em Juíz de Fora na Igreja da Glória. Procura guiar o seu ministério levando as pessoas a experimentarem a...
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