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Espiritualidade
25/01/2012 20:43:47 - Atualizado em 25/01/2012 20:43:47
Betânia: Lugar de aprender a ser Comunidade!

Betânia: uma casa cheia de aconchego. Um lugar de repouso, de encontro, de intimidade. Lugar-família, lugar-contemplação, lugar-serviço, lugar-fraternidade. Betânia é lugar de ser. Ali Jesus ficava à vontade. Sua humanidade era celebrada pela amizade dos três irmãos: Marta, Maria e Lázaro (Lc 10, 38-42).


Jesus vai visitar seus amigos. Neste texto, não se menciona a pessoa de Lázaro. Estaria ele fora? Estaria trabalhando ou quieto em algum canto, observando, sendo o vínculo silencioso das duas irmãs com personalidades bem diferentes? Não é importante conjeturar sobre uma ou outra hipótese.


Marta e Maria: dois perfis distintos!

No imaginário de muitos cristãos, Marta e Maria tornaram-se pessoas de perfis não só distintos, mas até mesmo contrapostos. Marta é tida como a mulher da ação, do serviço prestimoso, atento e até um tanto agitado; Maria, por sua vez, como a mulher da contemplação, tranqüila, ouvindo mais do que falando.

Não é incomum ver algumas pessoas referindo-se a este texto do Evangelho para dizerem coisas como estas: “Eu não sou muito de oração. Sou Marta. Gosto é de trabalhar”. Ou assim: “Eu me pareço com Maria. Podem contar comigo para rezar. Esse é meu trabalho na comunidade”. Sem dúvida alguma, essas duas dimensões são fundamentais, mas será que estão contrapostas como tradicionalmente se entende? Certamente que não.


Marta: perfil da vida de serviço!

Algumas pessoas têm um perfil mais voltado para o trabalho. Têm uma sensibilidade muito apurada para fazer o que precisa ser feito. E como isso é necessário!... Marta era impulsiva. Quando Lázaro morre (cf Jo 11, 1-44), ela vai ao encontro de Jesus, enquanto Maria fica em casa (v. 20). Seu coração se expande. Fala de sua dor diante da perda de seu irmão. Certamente sabia quem era Jesus e dirigiu-se a Ele como a um amigo, expressando-se até mesmo queixosa: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido” (v. 21). Marta representa o serviço atento e dedicado.


Maria: perfil da vida de oração!

Betânia, que é o lugar de Marta, é também o lugar de Maria. Seus ouvidos se apuram para ouvir o Senhor. Jesus não repreende o serviço de Marta, mas sua agitação. Naquele momento era importante priorizar a relação mais do que o trabalho. Marta esta inquieta e preocupada com muitas coisas. “Maria escolheu a boa parte” (Lc 10, 42b) e isso não lhe seria tirado. Penso nas tantas pessoas que têm uma vida de oração intensa, jovens ou anciãos, com espiritualidades diversas, mas sempre em sintonia com o Senhor. Também elas são fundamentais para a Comunidade.


Lázaro: o perfil da vida de fraternidade!

Marta e Maria, ação e oração. E onde entra Lázaro? O texto não fala dos pais desses irmãos. Provavelmente já teriam morrido. Os irmãos moravam juntos. Sou inclinado a pensar que Lázaro era o elo entre as duas irmãs, estabelecendo uma ligação mais profunda entre elas. Lázaro era a referência de fraternidade. A fraternidade de Lázaro integra e une. Ele é a ponte que une Marta, com o seu trabalho, e Maria, com a contemplação.

Num determinado dia, Lázaro morre!...

Jesus esteve em outros contextos de morte: a filhinha de Jairo (Mc 5, 21-24.35-43), o filho da viúva de Naim (Lc 7, 11-17)  e agora Lázaro. Os três são ressuscitados. Mas veja o que acontece com Lázaro: Jesus chega ao sepulcro e se comove profundamente. Ele chora pelo irmão e amigo (Jo 11, 33.38). Toda perda é difícil. Perdas de pessoas significativas, então, deixam um vazio no coração.


E quando morre a fraternidade...
 
De repente a fraternidade – Lázaro – morre. Sabemos que numa família uma pessoa ou outra tem o carisma da unidade entre os membros dessa família. Se colocamos em Lázaro o vínculo entre Marta e Maria – lugar da fraternidade – com a sua morte, a estrutura daquela pequena família de Betânia fica abalada. A oração e a ação, se não estão unidas pela fraternidade, se perdem.

Vemos no Evangelho que, enquanto Maria fica em casa chorosa, Marta vai ao encontro de Jesus. Maria era mais serena, Marta mais impulsiva, como dissemos.

Em uma comunidade temos carismas diferentes. O apóstolo Paulo aponta essa realidade, comparando a vida da Igreja com os membros do corpo que têm funções diferentes (1Cor 12, 12-30). Mas todos os carismas precisam estar conjugados e isso se dá pelo vínculo estabelecido pela fraternidade.


O que ressuscita a fraternidade?

Jesus ressuscita Lázaro: “Lázaro, vem para fora” (Jo 11, 43). O que faz com que a fraternidade ressuscite, quando ela começa a ficar ferida e pode até morrer?

Na comunidade familiar, religiosa-consagrada e paroquial, o que cimenta, o que une é o amor fraterno. Se a fraternidade começa a morrer, esta comunidade torna-se ferida. O que pode, então, curá-la ou até ressuscitá-la? A fé! A verdadeira vida de fé em Jesus possibilita a ressurreição da fraternidade!

Jesus diz a Marta: “Teu irmão ressuscitará... Eu sou a ressurreição e a vida. Crês isto?” (Jo. 11, 23.25-26). É isto o que dá ânimo, vida nova à comunidade: crer, ter fé de verdade.

O texto do Evangelho emprega o termo “isto” e não “nisto”, porque o enfoque não é em um objeto, uma doutrina, algo que é apresentado como uma realidade externa. É “isto” porque se trata de um sujeito, a experiência de Jesus no coração daquele que crê; não uma doutrina, mas uma pessoa: Jesus! A experiência de fé tem a capacidade de ressuscitar. “Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11, 26). Marta responde: “Eu creio”. É como se ela dissesse: - Eu creio em Ti, esta é minha fé.

A distinção é muito sutil, mas é ela que faz toda a diferença. Porque se eu creio em um objeto – nisto – ele fica fora de mim e crer é algo que precisa ser buscado dentro de mim, como sujeito – isto.  É a fé que faz a diferença na hora da crise deflagrada: na família, no trabalho, nos relacionamentos, a morte... Quando se perde alguém na família, por exemplo, o equilíbrio das relações muda, há uma crise e é preciso uma readaptação.

Aplicando isto às nossas Comunidades, o que faz a diferença é a nossa fé: ou eu fortaleço ou enfraqueço a comunidade. Preciso ter em mim uma vida de oração, de intimidade com o Senhor, na Palavra e, por outro lado, disponibilidade de catequizar, varrer o chão ou qualquer serviço que seja necessário com a mesma alegria. Devo reunir em mim a ação e a oração. Mas o que me une ao outro na Comunidade e o que deve me motivar é a fraternidade e não posso deixá-la morrer dentro de mim, pois não só a Comunidade enfraquecerá, ficará ferida, mas eu também, por fim, me enfraquecerei. Quando eu “creio isto”, entendo quando Jesus diz a Lázaro: “Vem para fora”.

Lázaro já estava morto há quatro dias. Ele já cheirava mal (Jo 11, 39), como às vezes nossas relações ficam mal cheirosas, quando não existe fraternidade entre nós. Às vezes, a fraternidade está doente ou até morta, exalando um terrível mau cheiro. Não é verdade que numa Comunidade ou mesmo numa família, onde a fraternidade é esquecida e as desavenças crescem, o ambiente torna-se pesado, doentio, mal cheiroso? Mas, se temos uma real experiência de fé, cremos que Jesus tem o poder de transformar esta realidade em nossos corações.

Na fé, a fraternidade, que é a força de equilíbrio entre as personalidades e os carismas diversos, pode ser restaurada. Só na fraternidade completa-se o que Jesus veio nos ensinar sobre a vida de oração e serviço! 

Espiritualidade Novembro 2007

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