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Espiritualidade
25/01/2012 21:03:51 - Atualizado em 25/01/2012 21:03:51
Fui feito para o mar! Não cumpro minha missão se não navegar!

“Ajude o barco do seu irmão a fazer a travessia e veja só:
o seu também chegou na margem!”
(Provérbio hindu)
 

Margem distante que mal consigo enxergar.
Porto que almejo, que move meu desejo e me faz seguir.
Ir e vir dessas ondas todas, tão semelhantes e tão diferentes.

Margem distante que quero alcançar, que povoa os meus sonhos e me faz avançar. Margem do outro lado do mar, escondida pelas nuvens, ora claras ora tempestuosas. Margem distante, margem-horizonte.

Margem distante de onde parti. Não dá pra voltar, pois tenho saudades do mar.
Dela, só me resta uma vaga lembrança, traços de recordação de onde vim.
Quem era aquele eu que habitava aquela margem, quando o barco estava ainda ancorado, âncora pousada velas dobradas?
Parece-me tão distante aquele eu que parece outro eu.
Mas sou eu; sou eu mesmo, hoje navegando, singrando as águas desse mar.

Margem distante, margem dentro de mim, porque infinito só o Divino Mar.
Não há margem fora – fora, só o oceano – só há margem dentro, porque finito sou eu.
Finito e frágil é meu barco e também o seu.
Não navegarei bem se o seu barco também não acompanhar.

Posso até me iludir, pensando ser eu mesmo o mar.
Mas o mar não sou eu e nem é você.
Se eu continuar a me enganar, posso me afundar e até levar você para o fundo do mar.

Só chegarei se eu ajudá-lo a chegar. Meu barco continuará sendo meu barco e seu barco continuará a ser o seu barco, mas o mar que a gente navega é nosso mar. No universo do espírito não há reserva territorial e não há reserva marítima. Nas margens costumamos até cercas colocar, mas não há como cercar o mar, porque o mar é Deus e eu sou só o barco.

Eu sou o barco, sou a margem e sou, por vezes, a cerca. Ah! E existem aqueles tolos querendo cercar o mar e impedir que os cardumes livremente nadem em suas águas. Dizem: - Não, não nadem por lá, porque aquele não é nosso mar!
Mas o mar não mais se dividirá; quando muito, podemos sobre ele andar.

Somos, eu e você, apenas dois barcos que estão no mar e, talvez, nem tenhamos pedido licença para nele navegar. É que nos sentimos donos do mar, mas ninguém é dono do mar. É ele que faz nossa vida ter sentido. Se eu sou um barco, o que seria de mim se não fosse o mar? Barco encalhado na praia, que não cumpriu sua missão porque não pode navegar...

Estamos juntos. Se eu ajudá-lo à margem chegar, também eu chegarei. Se eu reconhecer a margem que está em você, certamente reconhecerei a própria margem de onde vim, porque, de onde vim é para onde vou.

 

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Padre Sérgio
 
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Pe. Sérgio é sacerdote Redentorista. Atualmente pároco em Juíz de Fora na Igreja da Glória. Procura guiar o seu ministério levando as pessoas a experimentarem a...
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