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Espiritualidade
25/01/2012 21:50:55 - Atualizado em 25/01/2012 21:50:55
Viver desde o Coração ...

 

Junho, mês do Coração de Jesus. Mês de revermos nossa intimidade à luz do Coração de Jesus. Mais do que simplesmente uma devoção, o Coração de Jesus é uma espiritualidade centrada no amor, um caminho aberto que conduz ao íntimo do Pai, uma forma de olhar a vida e a si mesmo.


“Coração” na Bíblia

“Na Bíblia encontramos, somente no Antigo Testamento, 853 vezes a palavra ‘coração’. No Novo Testamento, essa palavra aparece 159 vezes. Na maioria delas, mais do que se referir ao órgão físico, sintetiza a interioridade da pessoa, sua intimidade e o mais profundo do seu ser. É o que percebemos no convite de Jesus: ‘Vinde a mim vós todos que estais cansados sob o peso de vosso fardo e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração’ (Mt 11,28-29).” (Dom Murilo Krüeger)

“O coração representa também a possibilidade de transcendência e de diálogo; santuário onde Deus fala ao homem (Os 2,16…) e a partir do qual o homem pode se abrir à escuta e ao louvor do seu Criador (Sl 9,2…). Por outro lado, o coração pode exprimir também o fechar-se a Deus (Sl 10,3…), a fonte do mal que pode destruir o projeto de Deus e a humanidade (cf. Gn 6,5). A saída desta situação de carência de salvação baseia-se no dom de um coração novo, habitado pelo Espírito Santo e capaz de compreender e agir segundo novos critérios (‘Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo. Removerei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne’ Ez 36,26s).” (Pe. José Ornelas Carvalho, scj).

 

Uma espiritualidade centrada no amor

Porque “nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados” (1Jo 4, 10). É Deus quem toma a iniciativa de nos amar. São João resume em três palavras o que Deus é: “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele” (1Jo 4, 16). Simples assim! Existiria algo mais belo do que isso para falar de Deus e, ao mesmo tempo, tão desafiante?

Amor que é contínuo fluir. Se há retenção, não há amor. O amor não nasce e nem termina em nós; ele tão somente passa por nós – como a água que deixa seus sinais de fecundidade por onde passa – e marca os sulcos profundos do coração, tornando-o sementeira de toda espécie de bons frutos.


Caminho aberto que conduz ao íntimo do Pai

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6), diz Jesus, mas é Ele também quem diz: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou não o atrair” (Jo 6, 44). Só pelo Coração aberto de Jesus podemos ter acesso ao Pai, mas para irmos a Jesus é necessário que o próprio Pai nos atraia. “Não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2, 8b-9).

Como folhas levadas pelo vento, deslizando suavemente, sem resistência, alçando vôo, não porque têm asas, mas porque o vento as beijou com sua força. Não é verdade que o Espírito Santo – amor entre o Pai e o Filho – é comparado ao vento? Amamos porque somos amados! Seguimos por este caminho porque a Ele fomos atraídos. Que mistério maravilhoso de amor é este! Só nos resta contemplar e seguir...


Uma forma de olhar a vida e a si mesmo

Olhar “para” dentro para poder olhar “desde” dentro. Isso porque nem todo olhar que vem de dentro é necessariamente verdadeiro e saudável. Um coração adoentado gerará um olhar adoentado. Mas quando se olha para dentro com sinceridade e com o real desejo de iluminar os cantos escuros do coração, então, a luz da verdade começa a libertar a pessoa do auto-engano e da ilusão. Esta é uma trajetória que durará a vida inteira e exige atenção contínua e serena. Entretanto, não ocorrerá se não for iniciada e cultivada adequadamente.

Falar do coração é colocar-se nas sendas da intimidade. Não dá para ficar do lado de fora, falando de interioridade. Seria apenas um discurso; um discurso até eloqüente, mas vazio. Quero convidá-lo, portanto, a dedicar este mês a um mergulho em sua intimidade, assim como quero falar a você desde minha intimidade.

Se o Advento nos convida à esperança, o Natal ao renascimento, a Quaresma à conversão, a Páscoa ao Cenáculo, o mês de maio à sensibilidade, junho nos convida à intimidade. Viver um mês dedicado todo ele ao Coração de Jesus, voltando-nos ao Seu Divino Coração para voltarmo-nos ao nosso próprio coração.


A Casa-Coração

Uma das imagens que mais falam da intimidade é a casa. Jesus, ao se apresentar a nós, diz: “Eis que estou à porta e bato; se você abrir, entrarei e cearemos juntos, eu com você e você comigo” (Ap 3, ). Há pessoas que querem Jesus por perto, mas não o permitem entrar em suas vidas, pois fazer isso seria expor a Ele a forma concreta como nosso interior é organizado e, convenhamos, o que reina muitas vezes é a desorganização, quando não o caos. Não se costuma dizer: “minha vida está caótica”?

Quando se fala de “casa”, fala-se daquele espaço concreto onde se coloca não só nossas coisas, mas também nossa história. Ali temos o fruto de nosso trabalho, representado nos móveis, eletrodomésticos, no alimento que tomamos, na cama que nos acolhe para o descanso, fotografias que lembram momentos marcantes, etc. Você tem em sua casa o lugar de preparar-se para o trabalho, de descansar, de repor as energias,  de receber os familiares e amigos – lugar de convivência. Ao dizer, portanto, que Jesus está à porta e bate, convidá-lo a entrar significa dar acesso a Ele a todas estas áreas de nossa vida.

Ao receber alguém em nossa casa, podemos simplesmente pegar toda a bagunça, aquilo que está precisando de manutenção e colocar num cômodo, fechando bem a porta para esconder da pessoa. Pode até dar uma impressão de organização, mas o que se fez foi acumular o que não está organizado, até piorando a situação. Aí, tranca-se aquele cômodo, abre-se um belo sorriso e a visita nem percebe o que está acontecendo. Às vezes, queremos fazer a mesma coisa com Jesus: aparecemos “bonitinhos” diante dele, mas há um caos em algum canto de nossa vida bem escondido.

Pois é, nossa casa interior – o Coração – cheia de coisas mal arrumadas, quebradas, desgastadas pelo tempo, abandonadas como se não existissem, precisa ser organizada. Pode até ser que o problema seja mais estrutural: além de alguma parede rachada ou coisas quebradas, pode haver alguma coluna de sustentação comprometida ou um sério vazamento, gerando desperdício, além do preço que se paga por isso no final do mês na famigerada conta de água. Quando em sua vida, a energia está “vazando, desperdiçando-se”, o que acontece é exatamente isso: você está perdendo vida e ainda paga um alto preço por este desperdício de energia, como uma “hemorragia” da alma.
 

O que está quebrado em seu interior?
Há algum “vazamento” de energia?
Suas bases de sustentação pessoal estão comprometidas?

 

Casa: lugar de aconchego, descanso, convivência, mas também de conflitos, tristeza, adoentamento e até da não-convivência. Não é incomum famílias em que um membro ou outro, quando chega em casa, fecha-se no quarto ou mesmo onde a televisão e o computador têm mais espaço que uma tranqüila partilha. Em nosso interior, trazemos “laços-de-ser” profundos que nos confirmam e fazem crescer, pessoas que são significativas para nós e outras tantas realidades trancadas e truncadas.

Bem, nosso coração assemelha-se a esta casa. Em alguns casos, não basta somente organizar. Há pessoas que são extremamente organizadas, mas estas estruturas de organização são notadamente frágeis. Isso porque o coração está ferido, magoado, frio, até mesmo fraturado. O coração precisa, então, da cura que vem do amor.


Seu coração está ferido?
Existe alguma área de sua vida que precisa ser curada?

Vá ao Coração de Cristo que estará sempre aberto, esperando por você. Dele fluirá o amor que o capacitará a firmar as estruturas de sua vida, a amorizar sua história, a curar suas feridas, a organizar sua interioridade.  Afinal...


O Coração de Jesus bate forte por você!

Espiritualidade - Junho 2008

 

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