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Espiritualidade
01/02/2012 15:42:07 - Atualizado em 01/02/2012 15:42:07
Minha jabuticabeira

 

Discretamente ela cresce no jardim de nossa casa. Não sei precisar há quantos anos ela está ali crescendo, mas, certamente, já passa dos vinte. Passo por perto dela com freqüência. Confesso que nem sempre de forma atenta.

Um dia, entretanto, ao acordar, abri a janela de meu quarto e pouco tempo depois ele foi cheio de um perfume adocicado que durou toda a manhã. Procurei e lá estava ela: toda vestida de branco, com suas pequenas folhas verdes balançando ao vento. Sorri e a chamei de “minha jabuticabeira”.

 Fui saudado por ela e seu perfume durante algumas manhãs, até que suas flores começaram a se tornar frutos. Um dia, então, coloquei-me debaixo de seus galhos para sentir de perto seu cheiro. Centenas de insetos a beijavam, especialmente abelhas de muitas variedades. Ao toque de suas asinhas, uma pequena nuvem de partículas brancas soltava-se e era levada pelo vento. Dançavam as abelhas, dançava a jabuticabeira. E eu? Bem, eu cantava silenciosamente e contemplava, extasiado, aquele espetáculo de vida, acontecendo bem diante dos meus olhos. Acho que, de alguma forma, eu também dançava.

Senti meu coração sendo curado e amado suavemente por Deus, através daquela jabuticabeira. Apenas um fruto verde já despontava de um dos seus galhos, anunciando a fartura que viria a seguir.

Generosidade foi a palavra que me veio naquele momento. Será que existe uma árvore tão generosa em seu florescer e frutificar? Desde o seu tronco até os ramos mais finos – e mesmo em suas raízes –  ela doa seus frutos, negros como a noite mais escura – como não se lembrar da expressão “olhos negros como a jabuticaba”?
 
A EMATER fala de doze a quinze espécies de jabuticabeira, entre elas a Sabará, Paulista, Rajada, Branca e Ponhema. A “minha” jabuticabeira é mineira, independente de ser ou não da espécie Sabará: fica em silêncio durante um bom tempo, até que chega a hora de explodir em pujança.

É minha, mas é sua também, pois, como prender uma árvore tão generosa? Ela fala de liberdade e dadivosidade.  E aí me ocorre um pensamento do filósofo Nietzsche ao escrever em sua obra “Assim falou Zaratustra”: “Torna-vos vós mesmos oferendas e dádivas, é essa a vossa sede; e, por isso, tendes de acumular, na vossa alma, todas as riquezas. Insaciável, aspira a vossa alma a tesouros e jóias, porque insaciável é a vossa virtude em querer dar presentes. Obrigais todas as coisas a ir a vós e a estar em vós, para que voltem a fluir do vosso manancial como dádivas do vosso amor”. Se Nietzshe não tivesse dito isso, talvez a jabuticabeira o dissesse. Não creio que ele o tenha aprendido da jabuticabeira, visto ser ele de uma terra fria, mas certamente adivinhou a existência desta tão tropical árvore.

Ansiamos por uma vida mais inteira, harmoniosa e integrada e constatamos dentro de nós não só os limites próprios da condição humana, mas também uma série de feridas. Num movimento – natural à alma que anseia por integração – pomo-nos a procurar meios pelos quais flua sobre nós a força curadora.

Não é preciso ir muito longe! Abra seus olhos, ouvidos, todos os sentidos. “Olhai os lírios do campo...” disse Jesus; e eu completo: Olhe os ipês, as quaresmeiras, as jabuticabeiras! Quanta bênção fluindo delas em nossa direção. A cura que leva à integração está tão próxima de nós. E nossos sentidos continuam dormindo. Sejam despertados todos os seus sentidos nesta primavera!

Bendigo a jabuticabeira que me falou do florescer e do frutificar abundantes. Bendigo-a pela simplicidade desapegada que não espera recompensa. É parte constituinte do seu ser assim florescer e frutificar. Bendigo a Deus que tem tocado minha sensibilidade para olhar as jabuticabeiras e os lírios e os ipês e os pássaros...

Será que hoje não está Deus proporcionando meios de integração bem próximos a você?

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