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Espiritualidade
01/02/2012 17:09:03 - Atualizado em 01/02/2012 17:09:03
Cinco montanhas, um caminho, Cinco aprendizados!

 

Estive há poucos dias na Serra da Piedade, onde se encontra o Santuário daquela que dá nome à Serra: Nossa Senhora da Piedade. Neste ano de 2010, comemora-se o cinquentenário da proclamação oficial de Nossa Senhora da Piedade como padroeira do Estado de Minas Gerais. Iremos, ainda este ano, promover uma peregrinação a este maravilhoso lugar de fé.

Altaneira, a Serra da Piedade se destaca em toda a região. Como não ter um encontro com Deus num lugar como aquele?! Foi uma tarde especial. Dia claro, poucas nuvens, sol, um vento suave, silêncio, inspiração.

Na Bíblia um lugar privilegiado de encontro com Deus é a montanha. Vivendo em um país cheio de montanhas, montes e colinas, o povo da Bíblia utilizou o simbolismo da montanha como lugar especial de manifestação de Deus ao seu povo. Muitas são as montanhas na Bíblia: Ararat,  Moriah, Sinai, Horeb, Sião, etc...

A montanha representa a inspiração divina e é o foco de peregrinações, de transcendência e elevação espiritual. É um símbolo universal do estar mais perto de Deus. Ela evoca ao mesmo tempo a altura e o centro, o encontro do céu com a terra, mas também a “escada”, o lugar que exige o esforço de subir, escalar. Simboliza constância, permanência, quietude e o seu cume representa espiritualmente o estado de consciência desperta. Simboliza ainda a estabilidade e a eternidade de Deus.

Talvez você nunca tenha prestado atenção, mas, no tempo da Quaresma, subimos quatro montes com Jesus. Iniciamos este trajeto no primeiro domingo da Quaresma e o terminamos na Sexta-feira da Paixão. São eles: o chamado “Monte das tentações”, Monte Tabor, Monte das Oliveiras e Monte Calvário. A estes quatro, acrescento outro que se encontra biblicamente entre o Monte das tentações e o Monte Tabor: o Monte das Bem-Aventuranças. É este que preparará o discípulo para subir os outros.

 

  1. O MONTE DAS TENTAÇÕES

 - Leia em sua Bíblia: Mt 4, 1-11; Mc 1, 12s; Lc 4, 1-13

- Ensino: Jesus cheio do Espírito Santo é conduzido ao deserto. Não se fala especificamente de um monte, mas uma tradição muito antiga situa este lugar em um monte que fica próximo à cidade de Jericó. Ali Ele é tentado pelo diabo em três áreas, que eu chamo dos três “p”: prazer, posse, poder. Jesus vence cada uma das tentações. Mas é bom lembrar que o texto bíblico diz que “o demônio apartou-se dele até outra ocasião” (Lc 4, 13). Fique atento, pois não é porque hoje você, fortalecido pela graça divina, venceu o inimigo que ele está de todo derrotado. “Te encontro numa esquina qualquer da vida”, dirá ele. Portanto, fique atento. Vigie!

- Lição: O deserto nos confronta com aquilo que é ou não essencial na vida. No deserto, um copo com água vale mais do que ouro ou diamantes. É a diferença entre a vida e a morte. Examine se seu coração está mais identificado com os valores do que com o Valor, com “v” maiúsculo.

- Para interiorizar: Aprende a buscar o essencial. Não te deixes desviar do plano que Deus tem para ti. VIGIA!

 

  1. MONTE DAS BEM-AVENTURANÇAS

 - Leia em sua Bíblia: Mt 5 – 7 ; Lc 6, 12-49

- Ensino: É interessante perceber que em Mateus trata-se de um “sermão da montanha” em Lucas de um “sermão da planície”. Mas, mesmo em Lucas, Jesus estivera em oração na montanha. Diferentemente do monte das tentações que fica em uma área desértica, o monte das bem-aventuranças situa-se próximo da cidade de Cafarnaum, na fértil região do lago de Tiberíades. Trata-se da forma como o discípulo deve viver: ser simples, pobre, capaz de perdoar, seguidor da Lei, íntegro, fiel, uma pessoa de palavra, pronto a amar até mesmo a quem lhe faz mal, ser fraterno, uma pessoa de oração, praticante do jejum, sem julgar o próximo, produzindo frutos para o Reino, ouvindo e pondo em prática a Palavra do Mestre.

- Lição: O Monte das Bem-Aventuranças traça um caminho prático para o discípulo. A lição nos é dada pelo grande pacifista, Ghandi: "Se se perdessem todos os livros sacros da humanidade, e só se salvasse o Sermão da Montanha, nada estaria perdido”. Aquilo que o mundo chama de fraqueza e fracasso é justamente o que transforma o homem em um ser de virtudes, aquilo que realmente o faz ser, ao invés de valorizar o ter, que restaura no ser humano a imagem e semelhança de Deus. A única maneira de atingir a plenitude da alegria é AMANDO!

- Para interiorizar: Aprende com o Mestre a percorrer teu caminho. Só assim serás capaz de subir os outros montes onde o Senhor também te espera. CAMINHA!

 

  1. MONTE TABOR

 - Leia em sua Bíblia: Mt 17, 1-19 ; Mc 9, 2-10 ; Lc 9, 29-36

- Ensino: Subindo a Jerusalém, como fazia todos os anos por ocasião da Páscoa, Jesus sobe ao alto deste monte, uma alta colina da Galileia, a 17 km a oeste do Mar da Galileia, alcançando 575m acima do nível do mar. Jesus sabe que será sua última viagem a Jerusalém. Aquela Páscoa seria, na verdade, a sua Páscoa. João, Pedro e Tiago estão com Ele. A passagem está cheia de elementos típicos da manifestação divina no AT: a nuvem, a voz, a luz e o subsequente medo dos discípulos, diante da glória de Deus que ali se derrama. A Transfiguração de Jesus foi um breve lampejo da glória futura do Ressuscitado. Mas Jesus sabia que antes de entrar definitivamente na Glória do Pai – a transfiguração plena – teria de provar a desfiguração. Em Elias e Moisés que ali apareceram está a convergência de toda a história da Salvação que apontava para o que viria após: a morte e ressurreição do Senhor. Sem saber o que fazer, e tomados de espanto, os discípulos dormem, mas também querem permanecer ali. Não era possível, o caminho ainda não tinha chegado ao fim.

- Lição: A Voz do Pai que se manifestara no batismo de Jesus, ali também se faz ouvir. No Tabor, Jesus é confirmado na sua identidade mais profunda: Filho de Deus, Deus-mesmo. Para o discípulo, subir o Tabor é colocar-se em adoração, recolhimento diante do Senhor, renovando sua profissão de fé. Mas é também, como Jesus, firmar sua identidade de filho. É esta identidade que o fortalecerá nas fases difíceis da vida. É bom lembrar aquilo que diz João: “Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é” (1Jo 3, 2).

- Para interiorizar: Aprende a firmar tua identidade como filho de Deus. Será esta experiência que te fortalecerá em todas as lutas, mesmo quando te sentires desfigurado. BRILHA!

 

      4.  MONTE DAS OLIVEIRAS

 - Leia em sua Bíblia: Mt 26, 36-46 ; Mc 14, 32-42 ; Lc 22, 39-46

- Ensino: Jesus acabara de cear com seus discípulos. Ali, no Cenáculo, Ele instituíra o memorial de sua paixão, morte e ressurreição, a Eucaristia. Aproxima-se o momento de sua entrega como supremo Cordeiro pascal. Como sempre fazia, recolheu-se para orar. Desta vez, no Monte das Oliveiras. Ele faz parte da fronteira ocidental do Deserto da Judeia. Entre ele e a Cidade Antiga de Jerusalém está o vale do rio Cédron ou, como também é conhecido, vale de Josafá. Ali estava o “Jardim do Getsêmani”. Ali Jesus provou uma profunda angústia. O “tentador” que se afastara do Mestre, quando foi vencido no Monte das Tentações (Lc 4, 13), agora o ataca com toda fúria, ódio e força. Ele provou toda a solidão da humanidade, uniu-se à mais terrível solidão e isolamento produzidos pelo pecado na alma do ser humano. Também ali, os discípulos adormeceram.

- Lição: O Monte das Oliveiras fala sobre como o discípulo deve se prevenir contra toda espécie de tentação que enfrentará em seu caminho: vigiar e orar. A vigilância nos deixa atentos, alertas e a oração nos abre ao poder de Deus que fortalece nossas defesas e derrota o poder de satanás. Na oração que o próprio Jesus faz, entramos no centro de toda sua vida: fazer a Vontade do Pai. Só assim, o discípulo também pode agradar a Deus e ser feliz.

- Para interiorizar: Aprende em tudo a buscar a Vontade de Deus. Fica alerto e mantenha-te em constante oração, pois a carne é fraca. ORA!

  1. MONTE CALVÁRIO

 - Leia em sua Bíblia: Mt 27, 32-56 ; Mc 15, 21-41 ; Lc 23, 26-49 ; Jo 19, 17-37

- Ensino: Termina aqui o caminho do Senhor? Termina aqui o caminho do discípulo?  Certamente não termina no Monte Calvário, mas não há como subir as “colinas eternas” (Gn 49, 26; Dt 33,15) sem passar pelo Calvário. Calvário (em aramaico Gólgota) é o nome dado à colina que na época de Jesus ficava fora da cidade de Jerusalém, onde Ele foi crucificado. O termo significa “caveira”, referindo-se a uma colina ou platô que contém uma pilha de crânios ou a um acidente geográfico que se assemelha a um crânio.  Toda a vida de Jesus convergiu para aquele momento. O lugar da nossa redenção! Se no Tabor houve luz, ali as trevas vieram sobre a terra; se no Tabor Jesus estava transfigurado, no Calvário encontrava-se totalmente desfigurado; se no Tabor os discípulos quiseram permanecer juntos ao Mestre, neste outro monte fugiram todos, com exceção de João. O Calvário é o lugar onde a morte morreu com a morte do Senhor da Vida. Na cruz, satanás foi derrotado uma vez por todas.

- Lição: Subir o Monte Calvário é, para o discípulo, a própria condição para o seguimento do Mestre: “Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lc 9, 23). A cruz leva o discípulo ao calvário e o calvário o conduz à ressurreição. No Calvário, o velho homem morre para ressuscitar para uma vida nova.

- Para interiorizar: Aprende a permanecer junto de teu Senhor, mesmo nos momentos de dor e morte. Subirás, sim, como discípulo, o Monte Calvário, mas serás conduzido, após isso, às colinas eternas. PERSEVERA!

 

 

Espiritualidade - Março de 2010

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Este recurso será liberado em breve. Aguardando validação do servidor.

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