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Espiritualidade
01/02/2012 17:32:08 - Atualizado em 01/02/2012 17:39:33
SPA do Coração

Junho: Dedicar um mês a olhar e a cuidar das coisas do coração. É o que lhe proponho:

Através do Coração de Jesus, percorrer as trilhas do próprio coração
 

Olhar e cuidar

Entrar numa espécie de “SPA do Coração”. Tudo começa com um olhar atento e misericordioso sobre você mesmo, sua história e tudo que está guardado no fundo deste pequeno – ao se analisar o espaço físico que ocupa – mas, ao mesmo tempo, enorme, quase infinito – pelo potencial que tem – baú da sua alma: seu coração!

Olhar e cuidar! Como se cuida de um jardim: regando, carpindo, podando, defendendo das pragas, curando o que está ferido. Um cuidado atento, delicado, prestimoso, feito de pequenas atenções bem ao seu alcance. Talvez, entretanto, seja necessário um trabalho mais minucioso, que conte com a ajuda de alguém esmerado nas artes de cuidar da alma humana, como um conselheiro, um padre, um psicólogo. Se ao debruçar sobre si, você perceber que precisa dar este passo, não tenha medo; seja seu melhor amigo, pois se você não fizer isto por você, ninguém o poderá fazer. Ninguém poderá ajudá-lo, se você mesmo não aceitar se ajudar. 

 

De que forma você olha e se olha?

A partir de que ângulo você enxerga a si mesmo, a realidade, o mundo?  Veja o que diz o pensador Hum Yu:
 

“Quem se senta no fundo do poço para contemplar o céu,
há de achá-lo pequeno”.

 

É uma questão de ponto de vista. Tem gente que só sabe olhar e avaliar o mundo a partir do que ela vê, percebe e sente. É claro que só posso olhar o mundo com meus olhos, mas posso aprender a ter uma outra forma de olhar; posso descobrir novos ângulos, novos enfoques, novas perspectivas. Não preciso me fechar em meus pontos de vista, especialmente se me coloco no fundo de um poço.


Do fundo de um poço, ao contemplar o céu, ele me parecerá pequeno. Certamente será diferente se subo uma alta montanha. Isso não significa que devo ignorar a vista que se tem de dentro de um poço, pois é exatamente aí que a gente pode se encontrar em algum momento da vida. Mas não seria o caso, nessa hora, de olhar o que de fato há no fundo do poço, ao invés de tentar olhar o céu a partir dali? Aprenda sobre si, mesmo quando você estiver no fundo do poço. Você pode até se surpreender com o que ali você encontra. Um quadro de depressão ou uma perda difícil, e sua consequente dor, podem levar uma pessoa a esse estado.


Cada experiência de vida que tenho ou que o outro tem, e com ele partilho o que se passa em mim e no seu interior, me abre uma nova forma de ver o céu – a realidade – e ver a mim mesmo.


É conhecido o ditado que diz: “O homem vê a parte; Deus vê o todo”. Por isso não é sábia a pessoa que se fecha em um ponto de vista, pois ela só percebe uma parte – mesmo que grande – enquanto Deus tem a visão total. Não ignore a parte que você hoje consegue enxergar em si mesmo, mas saiba que há sempre mais. Aliás, não é consolador saber que Deus tem uma visão muito maior que a nossa e que, quando nos olha, sempre nos olha amando?

E é o Senhor que nos alerta através do profeta:

“Meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor; mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos” (Is 55, 8).
 

Hom Yu usa o termo “pequeno”. Eu usaria o termo estreito. A visão, quando estreita, deixa as coisas pequenas. Quando falamos de estreiteza, o foco está naquele que vê; quando falamos de pequenez, o foco desloca-se para o objeto. O problema não está na realidade fora de mim, mas na forma como a vejo. Se combato, e vou superando minha estreiteza, aquilo que me parecia pequeno amplia-se. Não porque era pequeno, mas porque minha visão mudou. Portanto, devo desconfiar se minha visão de uma determinada realidade me parece pequena. Provavelmente, minha visão é que está equivocada, é estreita. É tempo, pois, de ampliar a visão.

 

Cuidar para transbordar

Creio que bastaria aqui eu citar o livro dos Provérbios 4, 23: “Guarda teu coração acima de todas as outras coisas, porque dele brotam todas as fontes da vida”. Imagine um rio, mesmo que poluído. Quem vê o nosso rio Arrudas, em Belo Horizonte, fica até difícil de imaginar que ele brote límpido e cheio de vida. E se a fonte for contaminada? É urgente defender o entorno das nascentes dos rios, pois podemos ficar sem eles. Você pensa o seu coração desta forma? Que cuidado deve-se ter para que ele não se contamine por comportamentos, palavras e situações que podem feri-lo profundamente. Do nosso coração vai fluir a vida para todo o nosso corpo, e também irá fluir vida para as pessoas que estão ao nosso redor.

Comece com o coração como órgão do seu corpo. Cuide de sua saúde, sua alimentação, faça exercícios regularmente, corte de vez o tabagismo, moderação com as bebidas alcoólicas.

Cuide de suas emoções e sentimentos. Não amontoe junto às suas fontes uma coletânea de mágoas, ressentimentos, auto-piedade e outras tantas coisas. Muitos de nós já fomos feridos em algum momento da vida. Reviver tudo isso é repisar as feridas, não deixando que elas cicatrizem. É como se alguém o apunhalasse e você tomasse o punhal da pessoa e continuasse, vez após vez, a ferir-se com ele. Desista disso. A falta de perdão faz mal a você mesmo.

Enquanto lhe escrevo, estou cuidando de meu coração. Ouço música suave, estou em contato com minha respiração e meu olfato é estimulado pela fragrância de um suave incenso. Não tenho dúvida que boa música, meditação, oração ajudam a cuidar do coração.

Cuide das suas fontes para que você possa transbordar. Proporcione um carinho ao seu coração. Reveja seus relacionamentos. Veja o que estão lhe dando e o que você, por outro lado, tem levado aos outros. Estabeleça limites. Faça cortes, se isso for necessário. Se por um lado não se pode confundir auto-cuidado com egoísmo, também amor não equivale à auto-aniquilação.

 Não deixe que seu interior se torne um deserto. É bem diferente passar por momentos de deserto na vida, mas na certeza de que há um oásis no meio dele, do que fazer da vida um deserto, porque as fontes secaram. Infelizmente há muita gente por aí assim.

Quero cuidar de minhas fontes para poder transbordar!

Espiritualidade - Junho de 2010

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