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03/02/2012 20:04:57 - Atualizado em 03/02/2012 20:06:39
Cidadania: arte de transformar...
O Rio me fala do tempo e da eternidade, como o Cristo Redentor, com seus pés firmemente apoiados na rocha do Corcovado, elevando-se em direção ao céu, mas, também, com seus braços abertos acolhendo a todos, abraçando a realidade, tão bela e tão sofrida.

Cidadania: arte de transformar agonia em fé, sonho em esperança, trabalho em solidariedade

O Rio me fala do tempo e da eternidade, como o Cristo Redentor, com seus pés firmemente apoiados na rocha do Corcovado, elevando-se em direção ao céu, mas, também, com seus braços abertos acolhendo a todos, abraçando a realidade, tão bela e tão sofrida. Entre o tempo e a eternidade está o ser humano; entre um e outro estou eu. Há a eternidade sinalizada na harmonia imemorial da natureza, exuberância da criação, resistindo à inconseqüente depredação. E há o tempo, feito História na grandiosa e por vezes fragmentada história dos homens. Alguém teria dúvida, ao olhar a beleza desta terra, que Deus, de fato, formou o homem e o colocou em um jardim?

Cariocas: fostes plantados num jardim, cheio de sol, sal, luz, praia, montanha e movimento. Cariocas todos vós, de todas as partes, de todas as classes e raças, credos e opiniões, nascidos nestas plagas ou que as adotastes, encantados por esta terra ou que aqui fostes trazidos para construir sua grandeza pelo trabalho de vossas mãos.

Seria pretensão minha dizer que me sinto aqui representando todos aqueles que, de alguma forma têm ajudado a cuidar desse jardim? Ao anônimo que a cada dia trabalha sem até mesmo ser notado por nossos olhos apressados, a ele também dedico este título.

Jardim não é só a floresta ou as praias, as árvores ou as flores. Jardim é o homem e a vida do homem. Porque não basta ter jardins ou parques preservados se a casa do homem não é casa de gente, se a vida do homem não é vida de gente. O que fazer, então? Certamente não é descuidar do primeiro porque o segundo não é cuidado. É preciso que todos, de alguma forma, celebrem a beleza do jardim e zelem e defendam a vida do homem.

Já vai longe os idos de 1994 quando aqui cheguei. Era padre jovem, então. Das margens do rio Jequitaí, no norte das Minas Gerais, ao litoral do Rio de Janeiro. Foram nove anos de semeadura constante – disso tenho consciência – na vida de tantos que vinham celebrar sua fé ou buscar alívio ou sentido para suas vidas.

Da igreja à praça, do púlpito aos microfones da Rádio Catedral, do Jornal “O Redentor” aos livros lançados. Porque não bastava anunciar dentro do templo. Era necessário que a Palavra que liberta chegasse mais longe, onde nem mesmo eu poderia imaginar. É preciso fazer ecoar a mensagem, mesmo que de relance ao ouvido do passante.

Mas chegou o tempo de partir, de ir semear em outros campos, ou melhor, nas montanhas. E no dia 09 de janeiro de 2003 parti em direção a Belo Horizonte, onde continuo minha missão.

A gente vai, mas aquilo que foi plantado permanece: permanecem os amigos, permanece a obra realizada na Paróquia, permanece a mensagem. Saudades?... Sim! Saudosismo?... Não! Saudades alimentam a alma no presente. Saudosismo prende o coração no passado.

Rio de Janeiro! Ah, Rio de Janeiro!... Grande, muito grande é esta cidade. As belezas são incontáveis e os problemas são muitos. Creio que ajudei e tenho ajudado, à medida do possível, a deixar essa cidade mais iluminada. Uma cidade fica iluminada não pelas luzes que banham as ruas, os prédios ou monumentos, mas quando as pessoas tornam-se iluminadas. Tenho procurado cumprir o mandato do Mestre: “Assim, brilhe vossa luz diante dos homens” (Mt 4, 16ª).

Recebo este título no dia da exaltação da Santa Cruz. A Cruz que lembra os tantos crucificados pela injustiça, discriminação, violência e tudo mais que produz morte. Mas se a Cruz lembra a morte, ela, por outro lado, realiza a Vida. Ela redime, aponta uma saída, transforma o absurdo em significação. A mesma Cruz celebrada e anunciada por Santo Afonso e deixada por ele aos seus filhos espirituais, os redentoristas, proclamando que “junto dele é copiosa a redenção” (Sl 129).

Por fim, esta é uma noite de compromisso, alegria e gratidão.

Sinto-me comprometido com esta cidade para ajudá-la a se tornar mais e mais uma “cidade maravilhosa” não só por sua beleza natural, mas pelo povo que se espalha em toda sua extensão. Podemos não fazer a diferença para todos, mas ser a diferença na vida de alguém.

Sou tomado de alegria porque é uma honra tornar-me cidadão desta cidade que também tem meu coração. Uma alegria reconhecida no jeito descontraído dessa gente que transforma agonia em fé, sonho em esperança, trabalho em solidariedade. A isso, eu chamo de cidadania!

Sou grato em primeiro lugar a Deus que me trouxe aqui um dia, razão de minha vida e missão. Sou grato aos meus pais que me educaram e nortearam meu caminho como um homem de fé. Louvo a Deus por minhas raízes. Como é importante uma sólida base familiar. Sou grato à Comunidade Redentorista que fundou e evangeliza há cem anos no coração da Tijuca, a Igreja Santo Afonso; aos servos e servas de ontem e de hoje desta tão querida Paróquia. Expresso, ainda, minha gratidão à amiga e Ex.ma vereadora, Silvia Pontes, pela iniciativa de indicar meu nome ao Título de Cidadania Honorária desta cidade e ao Ex.mo Vereador Ivan Moreira, presidente desta Casa.

A você, meu amigo e minha amiga, o que dizer? Começo com o Eclesiástico ao afirmar que “um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro” (Eclo 6, 14) e completo com o mineiro Milton Nascimento: “Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração... Mesmo que o tempo e a distância digam não; mesmo esquecendo a canção. O que importa é ouvir a voz do coração” E meu coração diz obrigado, muito obrigado a cada um e a todos vocês. Deus é a razão de estarmos aqui!

Por ocasião da entrega do Título de Cidadania Honorária do Rio de Janeiro e
Conjunto de Medalhas Pedro Ernesto

14.IX.2007

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