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Santos Anjos
18/09/2012 20:20:50 - Atualizado em 24/08/2013 00:35:45
São Miguel e Nossas Batalhas Espirituais
Estamos em plena “Quaresma de São Miguel”, uma tradição antiga iniciada por São Francisco de Assis e posteriormente transmitida aos seus discípulos.

Estamos em plena “Quaresma de São Miguel”, uma tradição antiga iniciada por São Francisco de Assis e posteriormente transmitida aos seus discípulos. Ao nos referirmos a São Miguel, somos lançados à clara consciência de uma das dimensões da vida humana: o combate espiritual. Quando falamos de combate ou batalha espiritual, referimo-nos a uma gama de fatores que envolve nosso caminho de evolução, crescimento e amadurecimento humano-espiritual e as resistências internas e externas neste caminho.

A harmonia original foi quebrada. Ninguém pode desconhecer a presença do mal no mundo e suas intrincadas ramificações no plano físico e espiritual.

A Igreja sempre venerou e reconheceu em São Miguel Arcanjo um auxiliar divino nestas batalhas. Numerosos santos e santas encontraram nele a força para se sustentarem em seu caminho espiritual, como aconteceu, por exemplo,  com São Geraldo Magela.

Uma Capela dedicada a São Miguel

Há muitos anos fui despertado para um amor especial aos anjos, especialmente aos arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael. Quando me veio a inspiração de fazer uma capela na Paróquia São José, quando era pároco, não tive dúvida: seria dedicada a São Miguel. Senti esta moção até mesmo diante do lugar em que a igreja de São José se encontra – bem no centro da cidade, um lugar estratégico de evangelização – e também pelo crescente trabalho de libertação (compreendida nos seus muitos sentidos) que desenvolvemos.

Foi tudo fluindo, desde o momento que assim pensei até sua construção. Escolhi cada detalhe, pensei em cada cantinho e objeto e, nisso tudo, senti-me guiado pela mão de Deus e a inspiração do Arcanjo. Quando terminada a obra, percebi aquele lugar tão cheio da presença de Deus que me veio ao coração a experiência vivida em sonho por Jacó: “... via uma escada, que, apoiando-se na terra, tocava com o cimo o céu; e anjos de Deus subiam e desciam pela escada. No alto estava o Senhor” (Gn 28, 12). E Jacó deu àquele lugar o nome de Betel, que significa Casa de Deus.

Tenho pedido muito a Deus que faça daquela capela uma outra Betel; que aquela “divina escada” ali seja colocada e os anjos de Deus subam e desçam trazendo libertação não só para os que ali estiverem, mas também na vida de todos que estão necessitados de libertação.

 

A presença do mal: uma realidade!

Alguém tem dúvida sobre a presença do mal no mundo?  Não é só olhar ao redor? Não é ele uma realidade? Não está ele presente nas estruturas sociais, nas pessoas, em nós mesmos? Não se percebe que há algo maior do que simplesmente coisas más? Não é um dado comum em todas as culturas e religiões a consciência da luta entre o bem e o mal, a luz e as trevas?

A respeito dessa realidade, é notável o que dizem as Escrituras e também o Catecismo da Igreja Católica. Refletirei um pouco sobre esta complexa e até mesmo polêmica questão. Longe de esgotar a temática, quero apenas chamar a sua atenção para esta dimensão de nossa vida espiritual. Se em relação a Deus, o sumo Bem, a gente diz que é preciso conhecer para melhor amar, em relação ao mal, pode-se dizer, que é conhecer para melhor se combater.

Uma velha estratégia, mas que continua a fazer vítimas

“Oh, não! – disse a serpente – vós não morrereis! Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.” (Gn 3, 4)

O “maligno” – aquele que tem o próprio mal na constituição de seu ser – não pode oferecer nada de bom. Tudo o que ele oferece é apenas uma ilusão. Mas as ilusões sempre encantam por sua aparência, despertando os sentidos para o que parecem oferecer. Fica-se deslumbrado com elas. Parecem tão ao alcance da mão e são muito atrativas: “A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, e o apresentou também ao seu marido, que comeu igualmente” (Gn 3, 6).  Perceba como o apelo é extremamente sensorial.

A estratégia do mal para conquistar o coração humano não mudou em nada. Ele se apresenta como algo bom e belo. O resultado é quase que instantâneo. A satisfação é praticamente imediata. E algo assim é logo compartilhado, como fez a mulher com seu marido. Sua ramificação é surpreendente, seu alcance é longo, mas seu efeito é igualmente devastador: “O Senhor Deus expulsou-o (o homem e a mulher); e colocou ao oriente do jardim do Éden querubins armados de uma espada flamejante, para guardar o caminho da árvore da vida” (Gn 3, 24). Quem faz aliança com o mal mais cedo ou mais tarde afasta-se do caminho da vida e percorre a senda da destruição.

Cuide de sua casa pessoal

“Por que estás irado? E por que está abatido o teu semblante? Se praticares o bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se procederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te; mas tu deverás dominá-lo.” (Gn 4, 6)

Esse trecho do Gênesis remete-me ao do Evangelho (Mt 12, 43-45), quando Jesus fala do espírito que é expulso de uma casa e que, não encontrando onde repousar, volta para ela. Encontrando-a limpa e vazia, junta-se a outros sete espíritos piores que ele e entra naquela casa e o último estado da pessoa acaba por ser pior que o primeiro. A tradição da Igreja costuma interpretar estes sete espíritos como os sete pecados capitais. Não podemos determinar se estes espíritos irão ou não voltar. A única coisa a fazer é cuidar da casa: mantê-la limpa, perfumada e cheia de amor, cheia de Deus. É assim que se defende das astúcias do mal.

O Senhor dá um alerta a Caim: o mal está sempre espreitando, mas é preciso manter a vigilância para poder dominá-lo e vencê-lo. O “mau gênio” é sempre uma porta aberta para que outras tantas coisas entrem; aquilo que a gente costuma chamar de brechas. O maligno não poderá atuar diretamente se de alguma forma não dermos uma autorização, mesmo que implícita, para que ele possa penetrar.

Um bom exemplo disso é a ficção presente nas obras “vampirescas”. Nos livros e filmes, os vampiros só podem entrar na casa de alguém se forem convidados. Acho interessante essa comparação, pois o vampiro é um ser que vive às custas do sangue alheio. Ele suga, literalmente, o sangue de sua vítima e ela acaba tornando-se um morto vivo. O mal na vida de uma pessoa age exatamente desta forma: vai sugando a vida das pessoas aos poucos. Ao final só resta o bagaço.

Tirando a ficção e tomando apenas o exemplo, é bom perguntar-se: o quê e quem eu ando convidando para entrar em minha casa, em minha vida? 

 

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