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Espiritualidade
09/09/2014 23:34:04 - Atualizado em 09/09/2014 23:34:04
Diante da Cruz
Segundo a tradição, a Cruz foi descoberta em 326 por Helena de Constantinopla, mãe do Imperador Constantino I, durante peregrinação à cidade de Jerusalém. A Igreja do Santo Sepulcro foi construída no local da descoberta, por ordem de Helena e Constantino.

Segundo a tradição, a Cruz foi descoberta em 326 por Helena de Constantinopla, mãe do Imperador Constantino I, durante peregrinação à cidade de Jerusalém. A Igreja do Santo Sepulcro foi construída no local da descoberta, por ordem de Helena e Constantino. A igreja foi dedicada nove anos após, em 335, com uma parte da cruz em exposição. Em 13 de Setembro ocorreu a dedicação da igreja e a cruz foi posta em exposição no dia 14, para que os fiéis pudessem orar e venerá-la. Esta é a origem da Festa da Exaltação da Santa Cruz.

Na cruz fomos reconciliados com o Pai. A vida de Jesus que foi uma constante entrega em cada gesto e palavra, na cruz se fez total. Ele tudo ofereceu, esvaziou-se até o completo aniquilamento, e esse oferecimento foi pleno ao morrer por nós.
Numa casa cristã sempre há um crucifixo. Se ele ainda não existe em sua casa, procure tê-lo, nem que seja você mesmo a confeccionar uma simples cruz com dois pedaços de madeira ou gravetos. Lembre-se da rústica cruz do Senhor. Medite no caminho do calvário. Sinta-se ao lado de Maria e João. E aí, diante do crucifico, ore:


Vejo-te, meu Jesus. Sinto que aos poucos a vida que anima teu corpo parece esvair-se, concentrando-se na essência de teu Ser, preparando-te para a ressurreição. Teu corpo está ferido, o sangue, abundante que era, começa a coagular. A dor, tremenda, parece anestesiar os sentidos, mas não tua capacidade de amar. Ao contrário, à medida em que se torna mais aguda, mais agudo é teu amor.

Ainda ouço o pulsar de teu coração. Sinto-me, então, irresistivelmente atraído para ele. Sei que Ele é fonte de misericórdia e foi por isso que chegaste onde estás. Foste elevado à cruz porque tua misericórdia é sem fim e querias derramá-la sobre toda a humanidade.

Como preciso de teu coração! Olho para mim e percebo que não me entendo, não consigo nem ser o dono de minha própria vida. Por vezes sou tomado pela ilusão de que controlo alguma coisa. Ledo engano.

Confronto-me com a própria impossibilidade de meu ser. Não sei, de fato, distinguir o que é melhor para mim. Quantas vezes teimei em seguir um tal caminho e deparei-me com o erro e a infelicidade.

Eis-me aqui. Deponho minha liberdade aos teus pés! Mas sei que, logo que a aceitas, tu ma devolves para que eu possa administrá-la. Deparo-me, assim, de novo, lançado ao meu eu com o dever de encaminhar os meus dias, de descobrir minhas próprias trilhas, de percorrer meus passos.

Não há outra maneira. Quisera que fosse diferente. Talvez fosse mais fácil. Talvez pudesse culpar o Senhor por meus erros, mas sou eu novamente que faço minhas escolhas. Sou eu que digo sim ou não. Sou eu a resistir ou a dar meu sim.

Permite, Jesus, que eu encontre o meu caminho passando por teu coração.
Permite que meus planos e sonhos sejam lavados em teu sangue.

Permite que eu aprenda de ti a ouvir o canto dos pássaros, o cair das chuvas, o sussurrar dos ventos, o balbuciar das crianças ao peito. Tu que em cada coisa distinguias a voz do Pai, dá-me apurar meus ouvidos para ouvir a Sua voz.

Paro diante de tua cruz e ouço o silêncio desta hora. Que posso eu fazer se não amar-te mais? Quero que seja esta a minha resposta. Amém.

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