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16/08/2015 17:27:56 - Atualizado em 16/08/2015 17:27:56
Hastes de trigo, cheias de grãos
Chega devagar o crepúsculo. Já não tarda a hora em que os ponteiros unem o céu à terra e a terra ao céu. O vento varre os trigais. Sem que haja a necessidade de testemunhas...

Chega devagar o crepúsculo. Já não tarda a hora em que os ponteiros unem o céu à terra e a terra ao céu. O vento varre os trigais. Sem que haja a necessidade de testemunhas, absortas ou indiferentes, uma dança, embalada por uma música quase silenciosa, desenvolve-se por entre os trigais, acarinhados por mãos invisíveis de monções celestiais.

Quanto mais carregadas de grãos, mais as hastes do trigo se curvam, pois ...

Hastes de trigo, cheias de grãos,
   aprendem a curvar a cabeça!
        (Provérbio chinês)

Não ostentam orgulhosamente seus grãos, mas se curvam como que sabedoras de que tudo é dádiva e elas mesmas foram criadas para serem portadoras desta dádiva.  São apenas hastes. Ninguém olha muito para a haste, apenas para o que nela se sustenta.  Mas elas estão felizes, elas são importantes, pois são elas que erguem o trigo ao levante. São elas que apresentam os grãos ao sol, até que fiquem dourados semelhantes a ele.

Se o trigo não é colhido, elas o derramam ao chão para que se tornem novas sementes e o ciclo da vida se recomece. Muitas daquelas sementes não vingarão. Algumas se agarrarão à haste, com medo da queda e do destino comum de todo fruto: cair para fazer a vida seguir. “Se o grão de trigo, caído no chão, não morrer, ele fica só; mas se morrer, produzirá muitos frutos” (Jo 12, 24), diz o Mestre Jesus.

E não só o grão de trigo aceita morrer, mas também a haste carregada de grãos. Se a haste segurasse os grãos, eles, com o tempo, secariam junto com ela e ela seria tão somente palha reservada ao fogo. Mas ela será adubo na terra alvissareira.

Os frutos que produzes e a própria capacidade de produzi-los não é tua e não podem parar em ti. Não podes produzir frutos apenas para ti, pois morrerão contigo e, consequentemente, morrerás com eles. Se assim os quiseres reter em ti, secarão ou, até pior, apodrecerão, sem que se liberem as sementes para que se prolongue os dons e, tu mesmo, te perpetues.

Não retenhas aquilo que recebeste! Não os exibas com orgulho vazio. Considera também: para frutificar, não dependas dos aplausos, do alarido, do vozerio. Conjuga em tua vida a haste que eleva o trigo e o trigo que beija o chão. Aprende com os trigais a curvar a cabeça e a liberar os grãos no momento devido. Tornar-se-ão pão à mesa, a saciar a fome, ou semente na terra, a preparar nova colheita.

De tua escolha dependerá teu destino: palha seca lançada ao chão ou dom ao outro, transformação!

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