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Espiritualidade
26/09/2015 15:03:58 - Atualizado em 26/09/2015 15:03:58
APRENDIZ
Aprendo mais de mim quando estou no chão.

“Ouvistes que é bom ganhar o dia?
Pois digo que também é bom cair,
perder batalhas no mesmo espírito com que são vencidas.”
Carlos Castanheda

Aprendo mais de mim quando estou no chão. Talvez bastasse que os pés estivessem colados ao chão, mas nos acostumamos tanto a isso que desaprendemos a lição.

Minhas mãos algumas vezes se precipitam em queda em direção ao chão. Esfolo-me, machuco-me e vejo a cor do meu sangue. Sou lançado à minha humanidade. Redescubro a leveza e a dor de humano ser.

Benditas quedas, dores e batalhas perdidas que me arrancam o orgulho. É quando as lágrimas lavam os olhos, fazendo-me ver melhor a mim mesmo e as pessoas ao meu redor.

Não teríamos o apóstolo da graça, Paulo, se o prepotente Saulo não fosse ao chão. Não teríamos o destemido Pedro, se o autossuficiente Simão não se chorasse do Mestre a negação. Não teríamos o salmista da misericórdia, Davi, se o autoritário rei não fosse confrontado em seu pecado. Não teríamos o triunfo sobre a morte pelo Cristo ressuscitado, se o humano Jesus não abraçasse a Cruz.

Aprendo mais de mim não só quando me lembro que sou pó, mas especialmente quando me experimento terra.  Celebrarei a vitória, mas saberei acolher a derrota. Subirei nas asas dos sonhos, mas assumirei a densidade dos pesadelos. Entoarei os cânticos primaveris, mas não fugirei dos lamentos invernais. Abrirei as janelas aos raios de sol, mas não recusarei os recados das noites escuras. Porque tudo me leva a aprender mais de mim!

Longe de mim um suposto evangelho que apregoe a alegria e não veja a beleza redentora da lágrima derramada. Longe de mim um evangelho que proclame a abundância sem admitir a dádiva da privação. Longe de mim um evangelho que só exalte a divindade de Jesus, sem maravilhar-se com sua profunda humanidade. Um evangelho assim não é Boa Nova de Deus para o homem e a mulher a caminho; é apenas projeção do orgulho triunfalista de quem não admite que o Verbo, verdadeiramente, se fez carne e habitou entre nós, semelhante em tudo a nós, menos no pecado. Eis o nosso Deus que sendo “tão humano assim só podia ser Deus” (Fernando Pessoa).

Termino, lembrando a ânsia de um aprendiz, na sua maturidade humana e teológica, Leonardo Boff:

Sinto em mim um grande vazio
Tão grande, do tamanho de Deus.
Nem o Amazonas que é dos rios o rio
Pode enchê-lo com os afluentes seus.

Tento, intento e de novo tento
Sanar esta chaga que mata.
Quem pode, qual é o portento
Que estanca esta veia ou a ata?

Pode o finito conter o Infinito
Sem ficar louco ou adoecer?
Não pode.  Por isso eu grito  

Contra esse morrer sem morrer.
Implode o Infinito no finito!
O vazio é Deus no meu ser!

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