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Espiritualidade
25/01/2012 18:30:07 - Atualizado em 25/01/2012 18:30:07
A Ceia e o Olhar do Mestre

Entramos no Cenáculo. O ambiente estava preparado. O dia acabara de chegar ao seu ocaso. Havia o contraste de um clima de alegria e de tensão ao mesmo tempo. Aproximava-se a Páscoa. O Mestre que sempre tivera o amor, feito delicadeza, como nota principal em sua forma de relacionar-se, agora estava mais intenso do que nunca. Seus gestos, suas palavras, mas sobretudo seu olhar transmitia a intensidade da comunicação de sua ternura.

Aos poucos cada um vai tomando lugar à mesa. A disposição de cada discípulo não era a mesma. Como acontece conosco quando nos colocamos à mesa eucarística. Nem todos estão na mesma sintonia. Por vezes há distanciamento, pouco caso, traição até. Mas há também corações entregues, desejosos de partilhar a mesa como o Senhor. Não se trata de ser puro, ser digno - na verdade, nunca somos dignos, mas de querer entrar profundamente no mistério da vida do Senhor.

Quando Jesus convida seus discípulos para com Ele celebrar a Ceia Pascal, convida-os a entrar em sua intimidade. Apresentamo-nos à mesa eucarística não só para receber o corpo e o sangue de Jesus, mas para entrar em comunhão com seus sentimentos, sua alma, seus ensinamentos, enfim, com tudo aquilo que Ele é. Não se trata de uma "comida" mística, capaz de produzir um efeito mágico para quem a come. Trata-se da celebração do desejo de verdadeiramente estar em comunhão com a vida do Mestre. Como podemos querer comungar seu corpo e sangue se não queremos comungar da Pessoa que Ele é e da mensagem que Ele deixou?

Chama-me a atenção o olhar de Jesus. Duas grandes janelas a deixarem sair um luz tremenda. Quanta eloqüência naquele olhar. Certamente falava muito mais do que suas palavras naquele momento. Ele sabia que seus discípulos não conseguiriam entender o que ali estava sendo vivido nem os fatos subseqüentes que se seguiriam na sexta-feira. Ainda havia tanta disputa entre eles!... Ainda se preocupavam sobre quem seria o primeiro, o mais importante, o mais próximo de Jesus. Mas o olhar do Mestre conseguia enxergar além das próprias disputas que viviam; Ele podia saber o quanto de generosidade e esforço havia em cada um e também os limites, os defeitos, a dureza própria de cada coração.

É assim que o olhar de Jesus pousa sobre todos os que se aproximam de sua casa para celebrar a Ceia Eucarística. Sabe de fato o que se passa em nós. O que cada um traz em si, a forma como cada um se assenta à mesa. Seu olhar sonda cada coração. A ninguém Ele condena ou afasta, mas deseja chamar para um lugar mais secreto, ao Cenáculo da sua intimidade. Há aqueles que estão no templo de pedras, mas que não entraram espiritualmente no Cenáculo.

- Senhor, quero entrar naquele andar superior, quero estar no Cenáculo, sentar-me à mesa contigo e partilhar da Tua intimidade. Quero celebrar essa intimidade, recebendo-te no pão e no vinho tornados teu corpo e teu sangue. Amém.

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